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Juliana Bonde, a música periquita e a polêmica nas redes: uma questão sociológica

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Homero Baco
É Jornalista. Mestre e doutorando em educação. Com passagens por tribuna independente (AL) TV correio (PB) Brasil de fato (PB) mídia caeté (AL) entre outros. Podcaster em flaucast. No N7 será colunista de opinião denominada "Meteu Essa", que estará no ar quizenalmente as sextas.


Semana passada, a cantora e influenciadora digital Juliana Bonde explodiu a internet, ao lançar sua nova música ‘periquita’. A letra de duplo sentido ataca presidenciáveis, figuras da música e até o diretor do Big Brother Brasil, o próprio Boninho. A letra original fez sucesso, especialmente na região norte, nos anos 2000 com a bandaKatrina e depois recebeu várias versões. Uma delas de Gaby Amarantos.

Nas versões anteriores o foco do duplo sentido ficava nos membros da banda. A cantada por Juliana Bonde foi por outro caminho. Mas quem é ela? Juliana Bonde é a continuação musical de um fenômeno do forró eletrônico: DJ Maluco (que inclusive tem uma versão da música gravada). O músico e produtor ficou famoso por misturar elementos de vanerão e lambadão nas suas músicas. Depois migrou para empresário com foco em pegar músicas de sucesso do sertanejo e transpor para uma musicalidade de forró. Até os cantores contratados precisavam ter o timbre que lembrasse os cantores sertanejos. Foi assim que apareceu o Bonde do Forró.

Foto: reprodução

Porém, com a chegada de Juliana o cenário mudouInvestindo em uma sensualidade à moda Zorra Total e Praça É Nossa, a vocalista ficou gigante nas redes (são mais de 6 milhões de seguidores no instagam) econsequentemente, maior que o grupo. O caminho natural foi a aposta no duplo sentido no perfil nas redes e na venda de conteúdo adulto. Não demoraria muito para essa retenção de atenção fizesse o grupo mudar de foco e apostar também nessa sensualidadee duplo sentido na musica também.

A carreira da cantora tem um lado curioso que se cruza com outro fato importante da semana passada: a morte do filósofo Olavo de Carvalho, considerado um dos expoentes intelectuais do atual presidente. Acontece que das 25 pessoas que Juliana segue, duas são de perfis de Olavo (um oficial e outro de repostagem). O próprio autor já fez ologios a cantora no twitter. Olavo ficou famoso por criticar um certo ‘marxismo cultural’ que estaria tomando conta da nossa cultura e que teria a pretensão de acabar com a família e destruir os valores cristãos.

Foto: reprodução

Em meio ao discurso que ele tornou forte nesse gurpo estava, uma crítica a Lei Rouanet que diziam distribuir dinheiro para artistas aliados. O que era falso. A Lei em questão deduzia impostos de empresas privadas revertendo para o incentivo a cultura. O processo passa por editais é uma política de incentivo a cultura respeitada mundo a fora.

O curioso é que ao mesmo tempo que criticam a Lei Rouanet, os discípulos de Olavo fecham os olhos para sertanejos e forrozeiros (como Juliana) que tiram o grosso de seus lucros de festas do interior pagas com dinheiro público muitas vezes com rachadinha que dobram o valor do cachê para repartir a grana com o gestor (onde já ouvimos falar disso mesmo?).

Foto: reprodução

As principais características do bolsonarismo são cinismo e adaptação. Isso o Dj Maluco e sua continuação Juliana Bonde, vai seguir fazendo. Interessante é ser essa a principal expressão do olavismo cultural. Enquanto o desejo era fazer uma arte ‘heróica, clássica’, na realidade sobrou apenas duplo sentido, algo que simplesmente não faz mais sentido. O recurso muito usado antes dos aplicativos de música era uma alternativa para ter a música tocada na rádio. Hoje com sentada em 9 de cada 10 músicas nas mais tocadas esse tipo de ‘subversão’ parece brincadeira de criança.

A nova versão de periquita é transfóbica, antipetista, bolsonarista e faz graça com violência contra a mulher. Nos dois outros versos mira nos fenômenos mais populares do país: Gustavo Lima e BBB. Tem tudo pra fazer sucesso nos bares e no zap.

Homero Baco
É Jornalista. Mestre e doutorando em educação. Com passagens por tribuna independente (AL) TV correio (PB) Brasil de fato (PB) mídia caeté (AL) entre outros. Podcaster em flaucast. No N7 será colunista de opinião denominada "Meteu Essa", que estará no ar quizenalmente as sextas.
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